Vamos falar de...
 Uma das mensagens mais poderosas do Buda, é que o estado natural da mente é luminoso e puro. O sofrimento vem dos nossos “atormentadores” - estados como o medo, a culpa, a cólera, a cobiça. Quando os nossos atormentadores batem à porta e os convidamos a entrar, perdemos o contacto com o estado luminoso da mente. Se os acolhermos apenas como visitantes de passagem, e não nos identificarmos com eles, vamos ter consciência que não reflectem o que realmente somos. O nosso desafio é vê-los como são e lembrar a nossa verdadeira natureza. Frequentemente, há este sentimento de que não somos suficientemente bons, de que temos de mudar, ser melhores. O que implicitamente significa que não queremos ser quem somos, que não nos aceitamos. Ou aceitamos umas partes, as que achamos mais simpáticas ou mais corajosas e lutamos incessantemente contra as outras. E, contudo, seja o que for que sejamos, é com isso e através disso que estamos aqui, é essa a matéria-prima do nosso caminho espiritual. O caminho começa aqui mesmo onde estamos, tal como somos, com a nossa mistura de confusão e sabedoria. A prática da meditação é o primeiro acto que fazemos para parar a agitação, a confusão, os julgamentos. Mas não é uma varinha mágica. Aliás, frequentemente, como vamos estar mais atentos, vamos dar-nos conta de até que ponto estamos agitados. E aí a meditação fará parte de tudo. Não é apenas o momento em que nos sentamos numa almofada, e que acaba no momento em que nos levantamos da almofada. A meditação é uma experiência viva, que integra tudo o que somos e, essa percepção, temos de trazê-la para a nossa vida de todos os dias. Os fenómenos, quer surjam sob a forma de sensações visuais, auditivas, olfactivas, tácteis, quer sob a forma de sentimentos, emoções, acontecimentos exteriores ou interiores, quando vividos com consciência, são um instrumento de libertação. São a nossa oportunidade de acordar. "Durante muito tempo na minha prática de meditação ficava embaraçado e envergonhado ao ver na minha mente estados de mente prejudiciais, estados como orgulho ou ciúme, má vontade ou egoísmo; e em vez de os examinar e trabalhar liberto deles, fazia julgamentos sobre mim próprio e cavava ainda mais fundo o buraco em que me encontrava. Ou sentir-me-ia julgado e infeliz quando os meus professores ou outras pessoas apontavam estes estados mentais desarmoniosos. Mas depois de anos de prática, acabo por me sentir agradecido quando observo o surgimento de um desses estados negativos, porque agora mais facilmente os vejo. Torna-se mais uma oportunidade de me desprender desses padrões, de ver a sua transparência essencial, e por me soltar do fardo que representam." (Joseph Goldstein) Livro de consulta Lovingkindness, the revolutionary art of Happinness, de Sharon Salzberg |
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A prática da consciência plena |
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A consciência plena é a prática contínua, em todos os momentos do quotidiano, de tocar profundamente a vida enquanto estamos sentados, a andar, a comer, a beber e até a trabalhar. Quando praticamos a consciência plena, a nossa mente não se agarra ao passado, nem se preocupa com o futuro, apenas estando completamente consciente com o que acontece no momento presente. Quando praticamos a consciência plena estamos a cultivar a paz e a alegria no nosso interior e à nossa volta, libertando-nos dos medos, ansiedades, cóleras e confusões. Buda é frequentemente retratado como estando sentado sobre uma flor de Lótus, muito fresca e muito estável. Se nos conseguirmos sentar no aqui e agora, qualquer sítio ou qualquer coisa que estejamos a fazer, transforma-se na flor do Lótus, independentemente de estarmos na base de uma árvore, sobre a nossa almofada de meditação, a comer uma laranja, a beber o nosso chá ou a lavar pratos. Quando estamos realmente aqui no momento presente, como o Buda, nós também nos tornamos frescos, vivos e estáveis.
“Não te deixes apanhar no passado, porque o passado já passou. Não te preocupes com o futuro, porque ainda não chegou. Apenas existe um momento em que tu estás vivo, e esse momento é o presente. Retorna ao momento presente e vive-o profundamente, e então serás livre”. - Buda
Grupo de Prática de Consciência Plena na tradição de Tich Nhat Hahn |
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